Professores do Sesi SP voltam às aulas e negociação será retomada na Justiça do Trabalho
Assembleia de 1/04 manteve o estado de greve da categoria dos professores e aceitou a proposta de negociar com a mediação do TRT de São Paulo. Confira mais sobre a greve dos professores do Sesi em TVT News.
Professores do Sesi SP voltam às aulas e negociação será retomada na Justiça do Trabalho
Após dois dias de greve, professores do Sesi no Estado de São Paulo decidiram voltar às aulas nesta quarta-feira, 2 de abril, e retomar a negociação salarial em reuniões no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Eles mantiveram o estado de greve e a mobilização estadual da categoria.
A decisão foi tomada na noite de terça, 1º de abril, em assembleia com cerca de 800 participantes representando as diversas regiões dos sindicatos integrantes da Fepesp (Federação dos Professores do Estado de São Paulo).
Na assembleia, os docentes acataram a sugestão da juíza do TRT, Luciana Bezerra de Oliveira, de uma “cláusula de paz” apresentada durante a audiência no final da tarde da terça-feira. A primeira reunião de negociação mediada pela Tribunal será nesta quarta-feira, às 16 horas.
“Não adianta falar em qualidade de ensino sem valorizar o professor. O movimento mostrou força e fez o Sesi reconhecer a greve, o que pode conquistar o respeito e a valorização que queremos,” declarou Celso Napolitano, presidente do SinproSP e da Fepesp.
No Estado de São Paulo, são pelo menos 4 mil professsoras e professores com data-base em 1º de março. Na pauta da campanha salarial, Fepesp e sindicatos pedem aumento salarial com ganho real de 2,5%, o que vem sendo negado pelos representantes patronais.
Alerta das professoras e professores do Sesi
Além de celebrar o empenho durante dos dois dias de greve – 31/03 e 1/04 – os professores e diretores dos sindicatos reforçaram a necessidade de manterem-se “alerta” para a negociação e para os informes da campanha salarial.
Com o “estado de greve”, fica mais ágil a retomada da paralisação da categoria caso seja necessário. “E lembrando: tudo que for negociado na mesa do tribunal passará por avaliação de assembleia estadual, para a qual todos serão convocados,” esclareceu o professor Napolitano.
A Campanha salarial dos professores do Sesi SP começou com reuniões já em dezembro de 2024 por iniciativa dos sindicatos e da Fepesp. Para definir a pauta de reivindicações, assembleias foram realizadas por cada sindicato integrante da Federação.
Como foi a greve do Sesi nos dias 31 de março e 01 de abril
- A greve dos professores do Sesi aconteceu nos dias 31 de março e 01 de abril. Diretores do SINPRO estiveram nas portas das escolas para informar pais, estudantes e comunidade sobre as condições de trabalho de professores e professoras.
Nesta segunda-feira (31), primeiro dia da greve, houve paralisações totais ou parciais nas escolas da rede Sesi em todo estado de São Paulo.

No dia 01, a paralisação continuou nas unidades do Sesi por todo o Estado de São Paulo.
O SinproSP (Sindicato dos Professores de São Paulo) e a Fepesp estão empenhados na Campanha salarial desde novembro de 2024. Até agora, houve 11 rodadas de negociação para defender a pauta de reivindicação dos professores – que foi escolhida em assembleia.
“Parabéns, professoras e professores! Estamos mostrando ao Sesi que professor não se verga e exige respeito, quer ser valorizado. Esta é a verdadeira aula de civismo que vocês estão dando para os alunos”, declarou Celso Napolitano, presidente do SinproSP e da Fepesp.
- Vídeo; balanço do primeiro dia de greve dos professores do Sesi
Assembleia aprovou greve dos professores do Sesi
A decisão de paralisação foi colocada em votação com a seguinte pergunta, apresentada à assembleia em tempo real:
“Você concorda com a proposta de GREVE em todas as Unidades do SESI no Estado, a partir de 31/03, com o cronograma apresentado, que inclui nova assembleia no dia 27/03, às 19 horas?”
O resultado da votação refletiu o descontentamento da categoria:

As assembleias ocorreram remotamente, garantindo ampla participação dos docentes. A greve foi aprovada em diversas regiões do estado, incluindo ABC, Araçatuba e Birigui, Campinas, Franca, Guapira e Unicidades, Jacareí, Jundiaí, Osasco, Ourinhos, Presidente Prudente, Sinpae Ribeirão Preto, Rio Claro, Santos, São Carlos, São José do Rio Preto, São Paulo, Sorocaba, Vales e Valinhos-Vinhedo.
Com a aprovação pela ampla maioria, a Fepesp divulgou o seguinte cronograma de mobilização:
- Segunda-feira (24/03): O SESI-SP foi oficialmente notificado sobre a decisão da assembleia;
- Quarta-feira (26/03), às 15h: Último prazo para que a instituição atenda às reivindicações da categoria;
- Quinta-feira (27/03), às 19h: Nova assembleia estadual unificada foi realizada para avaliar o cenário, professores aderiram à greve;
- Segunda-feira (31/03): A greve será iniciada caso não haja avanço nas negociações.
Quais são as reivindicações dos professores do SESI
Além do reajuste salarial, a categoria listou suas principais demandas após sucessivas rodadas de negociação sem avanços significativos:
- Professores do Fundamental I da rede Sesi-SP enfrentam uma realidade cada vez mais desgastante: turmas superlotadas, com números que chegam a ultrapassar 60 alunos – e, em alguns casos, atingem até 90 estudantes. A situação tem gerado insatisfação generalizada entre os docentes, que apontam a prática como inviável para garantir um ensino de qualidade;
- Outro ponto de tensão diz respeito à mudança da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para a modalidade de Ensino à Distância (EAD). Com essa transição, professores relatam que têm sido obrigados a atender turmas com mais de 200 alunos, o que tem causado estresse e esgotamento físico e emocional. Além disso, a instituição também se nega a estabelecer limites máximos de estudantes para a modalidade EAD no acordo coletivo;
- A situação é igualmente crítica na adaptação, fase destinada à recepção de novos alunos para identificar suas necessidades educacionais específicas. Professores que atuam nessa área relatam que faltam trabalhadores para lidar com a crescente demanda. Com poucos profissionais disponíveis, as tarefas se acumulam, comprometendo a qualidade do atendimento e aumentando a sobrecarga. Diante desse cenário, a categoria reivindica urgentemente a contratação de mais profissionais para reduzir o volume excessivo de trabalho e garantir condições adequadas tanto para os docentes quanto para os alunos.

Essas questões têm sido alvo de críticas contínuas por parte dos professores, que veem na ausência de medidas concretas do Sesi-SP uma falta de compromisso com a valorização dos profissionais e com a qualidade do ensino ofertado. Para a categoria, a solução passa não apenas por ajustes pontuais, mas pela inclusão de diretrizes claras no acordo coletivo que limitem a sobrecarga de trabalho e promovam melhores condições de atuação.

Próximos passos
Acompanhamento da negociação – A Fepesp e os sindicatos reafirmaram o compromisso de continuar pressionando por avanços e convocar novas assembleias, conforme o andamento das negociações.
O presidente da Federação, Celso Napolitano, declarou, no portal da Fepesp: “O segmento patronal fala em ensino de qualidade, mas pra isso é preciso valorizar o agente educador, ou seja, as professoras e professores”. Celso lembrou ainda que já ocorreram 10 rodadas de negociação, sem avanços efetivos.
Em nota, o Sesi-SP alegou: “O SESI-SP está em processo de negociação do pleito dos professores, por meio dos sindicatos que os representam, e busca o entendimento, conforme os preceitos que pautam a entidade, de respeito e valorização dos profissionais.”