Apesar do elenco controverso, o diretor Sam Mendes promete uma quadrilogia à altura dos Beatles. Entenda tudo que está por trás das obras
A Sony Pictures confirmou que uma quadrilogia de filmes sobre os Beatles chegará aos cinemas em 6 de abril de 2028. O projeto, dirigido pelo renomado cineasta britânico Sam Mendes (Beleza Americana; 007 – Skyfall), contará a história de cada um dos integrantes da icônica banda de Liverpool em filmes individuais, que serão lançados simultaneamente.
Intitulada The Beatles – A Four-Film Cinematic Event, a produção será a “primeira experiência cinematográfica projetada para ser maratonada”, conforme afirmou o diretor durante a convenção CinemaCon, em Las Vegas. “Não estamos fazendo apenas um filme sobre os Beatles — estamos fazendo quatro”, declarou Mendes. “Talvez esta seja uma chance de entendê-los um pouco mais profundamente.”
O elenco e os Beatles
O elenco também foi anunciado, trazendo nomes de destaque no cinema contemporâneo. Paul Mescal interpretará Paul McCartney, Harris Dickinson será John Lennon, Barry Keoghan dará vida a Ringo Starr, enquanto Joseph Quinn assumirá o papel de George Harrison. A escolha dos atores gerou discussões. Muitos fãs acusam a produção de buscarem apenas atores em alta, famosos nas redes sociais. Todos eles com o físico impecável. Paul Mescal, por exemplo, acabou de estrelar um guerreiro romano em Gladiador 2. “Os Beatles nem bonito eram”, disse um internauta. Alguns temem ser prenúncio de uma obra puramente comercial, sem qualquer fidelidade ou correspondência aos fãs exigentes da maior banda da história.
Exposta esta questão, Sam Mendes revelou que a ideia de contar a história dos Beatles em um único filme parecia inviável devido à grandiosidade da trajetória da banda. No entanto, o formato inovador da quadrilogia permitiu uma abordagem mais detalhada da vida e das contribuições de cada integrante para o grupo e para a história da música.
Na ativa entre 1960 e 1970, os Beatles se tornaram uma das bandas mais bem-sucedidas e cultuadas de todos os tempos, deixando um legado imensurável na indústria musical. A influência da banda na música e na cultura mundial é difícil de mensurar. A criatividade dos Beatles – cada um à sua forma e relevância – mas particularmente a dupla Lennon/Mccartney, alcançou patamares tão elevados que até hoje a obra segue sendo vista, revista, reinterpretada e compreendida com ineditismo.

Beatles e cinema
Os Beatles, além de revolucionarem a música, também deixaram sua marca no cinema com filmes originais que capturaram a essência da banda e da época. Cada um desses filmes oferece uma visão única do grupo, desde a energia frenética do auge da Beatlemania até a psicodelia experimental dos anos seguintes que resultaram em obras primas como o album Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band e seu sucessor lisérgico Magical Mistery Tour.
A Hard Day’s Night (1964): Este filme, lançado no auge da Beatlemania, captura a energia contagiante e o humor irreverente dos Beatles. Dirigido por Richard Lester, o filme acompanha um dia na vida da banda, misturando realidade e ficção de forma inovadora. Com um roteiro ágil e diálogos espirituosos, “A Hard Day’s Night” é considerado um marco do cinema musical e um retrato icônico da cultura pop dos anos 60.
Help! (1965): Também dirigido por Richard Lester, “Help!” leva os Beatles a uma aventura exótica e cheia de ação. O filme acompanha a banda enquanto eles se envolvem em uma trama internacional envolvendo um anel mágico e um culto misterioso. Com locações exuberantes e sequências elaboradas, “Help!” é um filme divertido e extravagante que reflete a crescente popularidade e o espírito aventureiro dos Beatles.
Magical Mystery Tour (1967): Este filme experimental, concebido e dirigido pelos próprios Beatles, é uma viagem psicodélica e surrealista. Sem um roteiro convencional, “Magical Mystery Tour” apresenta uma série de vinhetas e cenas abstratas, acompanhadas por músicas da banda. Embora tenha sido recebido com críticas mistas na época, o filme se tornou um clássico cult e um registro fascinante da fase experimental dos Beatles.
Yellow Submarine (1968): Este filme de animação psicodélica, com a participação dos Beatles, leva o público a uma jornada fantástica através de um mundo submarino colorido e surreal. Com um estilo visual inovador e canções icônicas dos Beatles, “Yellow Submarine” é um filme que transcende gerações e continua a encantar espectadores de todas as idades.
Filmes não apenas capturaram a essência dos Beatles em diferentes fases de sua carreira, mas também influenciaram a cultura pop e o cinema musical. Com sua energia contagiante, humor irreverente e experimentação visual, os filmes dos Beatles continuam a ser apreciados e celebrados como obras icônicas da história do cinema.
Além disso, outras obras icônicas e documentários traçaram épocas de cada um dos integrantes, ou contaram histórias da mitologia dos Beatles. Filmes como Nowhere Boy (Garoto de Liverpool, 2010), que fala sobre a adolescência de John Lennnon e fatos de sua vida, como a morte prematura de sua mãe, Julia e sua amizade com o talentoso jovem Paul Mccartney. Ou a obra máxima Anthology, de 1995, dividida em oito capítulos onde Paul, George e Ringo relembram o passo a passo da emblemática banda. Até mesmo Martin Scorsese filmou a história de George Harrison em um documentário impecável. Sobram obras e boas referências. Agora, Sam Mendes tem a difícil missão de manter o legado.