Economia brasileira reage com estabilidade ao tarifaço de Trump. Argentina de Milei vê risco-país explodir e bolsa derreter. Entenda na TVT News
As bolsas de valores de todo o mundo reagiram hoje (3) à guerra tarifária de Donald Trump contra o mundo. Argentina de Milei sofre com medidas e Brasil segue estável. Entenda na TVT News.
Após a imposição massiva de taxas para importação de quase todos países do mundo, os mercados reagiram mal. Particularmente o norte-americano. A economia doméstica do país de Trump pode ser uma das que mais sofrerá com as medidas de seu presidente.
Os principais índices do país estão em franca queda. A Nasdaq, por exemplo, registra – 4,4% e a NYSE, 2,2% negativos. O índice industrial Down Jones perdeu 1.500 pontos em uma hora de funcionamento. O dólar registra queda de 1,6%, sendo cotado até o fechamento desta reportagem em 5,604 reais. A moeda brasileira está reagindo bem, com estabilidade diante do cenário. O Euro também registra estabilidade, enquanto moedas asiáticas registram queda.
Um dos maiores efeitos negativos está na Argentina. A bolsa de valores de Buenos Aires, Merval, registra queda significante enquanto o risco país explode. Aliado ideológico de Trump, o presidente Javier Milei parece não encontrar reciprocidade na sua admiração pelo político de extrema direita norte-americano. Já o índice da bolsa de São Paulo, o Ibovespa, oscila em estabilidade. No fechamento desta reportagem, flutuando positivamente na casa de 0,006%.
Trump taxou o Brasil e a Argentina de Milei em 10%. Já as Malvinas (Ilhas Falkland) sofreram impacto de 41%.
Argentina de Milei derrete
O índice Merval abriu a quinta-feira em forte baixa, registrando uma queda de 2,5%. O cenário negativo reflete o pessimismo sobre a nova política de tarifas de importação anunciada pelo presidente Trump.
As principais perdas foram observadas nas ações da Transportadora Gas del Norte (-5,6%), Edenor (-5,4%), Comercial del Plata (-5,2%) e Transportadora Gas del Sur (-4,8%). Os ADRs de empresas argentinas negociados em Nova York também recuaram cerca de 9%, enquanto os títulos da dívida do país apresentaram uma desvalorização superior a 1,5%.
Como resultado, o risco-país da Argentina subiu para 867 pontos. Para efeito de comparação o risco Brasil gira em torno 182,86 e o dos EUA na casa dos 60 pontos. Quando maior, pior e mais inseguro o mercado para investimentos.
Em sua rede Truth Social, o presidente norte-americano publicou uma mensagem enigmática: “A cirurgia terminou, o paciente sobreviveu, se recupera e será mais forte”.
A resposta do mercado argentino demonstra a preocupação dos investidores com os impactos dessa política protecionista sobre a economia global e, em particular, sobre países emergentes e com economia desorganizada por uma política neoliberal como a da Argentina. Analistas indicam que a volatilidade deve permanecer alta nos próximos dias, enquanto o mercado avalia os desdobramentos dessa decisão para o comércio internacional.

Crise sob Milei
A desvalorização da economia argentina sob Milei não é de hoje. O país enfrenta resultados de sua política, particularmente na explosão da pobreza extrema, que atinge 38,1% da população do país. No Brasil, essa faixa mais vulnerável é de 4,4% da população.
Os resultados da economia de 2025 revelam um abismo entre Brasil e Argentina. O Ibovespa encerrou o primeiro trimestre de 2025 com uma valorização de 16,78% em dólares, consolidando-se como o sétimo melhor desempenho entre os 21 principais índices globais analisados pela consultoria Elos Ayta. Em reais, o avanço foi de 8,29%, refletindo a confiança dos investidores e um cenário econômico mais favorável ao mercado brasileiro.
Essa performance não era observada desde o quarto trimestre de 2023, quando o Ibovespa teve um crescimento ainda mais expressivo de 19,07% em dólares. Naquela ocasião, a valorização do índice foi acompanhada por um fortalecimento do real de 3,44%, fator que também contribuiu para a atratividade do mercado brasileiro aos investidores estrangeiros.
Na outra ponta do ranking, o índice Merval, da Argentina, teve o pior desempenho do primeiro trimestre de 2025, com uma queda de 11,25% em dólares. A desvalorização do peso argentino segue como um dos principais desafios para o mercado financeiro do país, que enfrenta um cenário macroeconômico turbulento e forte instabilidade política e fiscal.