sexta-feira , 4 de abril 2025

Vamos tomar a Groenlândia, volta a ameaçar Trump

Terras raras, rota para o Mar do Norte, petróleo e estratégia militar explicam interesse dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar a Groenlândia, nesta quarta-feira (26). O controle da ilha autônoma que pertence à Dinamarca é uma das obsessões do líder norte-americano em seu retorno à Casa Branca. Desde que tomou posse, em janeiro, ele vem investindo contra o território dinamarquês.

“Precisamos da Groenlândia para a segurança internacional. Precisamos dela. Devemos tê-la”, disse Trump. “Odeio dizer isso assim, mas vamos ter que tomar posse deste imenso território ártico”, afirmou Trump a um apresentador de podcast.

O presidente americano argumenta que a Groenlândia poderia abrigar infraestrutura militar para monitorar ou impedir ataques vindos da Rússia ou da Europa. A ilha também é rica em recursos naturais.

Em função do aquecimento global, que Trump diz oficialmente não acreditar, a Groenlândia tende a se tornar um acesso ainda mais relevante. O derretimento das geleiras deve abrir rotas marítimas no Norte. Além disso, as terras congeladas – que hoje são maioria do território da ilha – guardam riquezas ímpares.

A declaração foi feita dois dias antes da viagem do vice-presidente, J.D. Vance, ao território. Vance visitará a Groenlândia na sexta-feira (28), mesmo sem um convite oficial.

Segundo a Casa Branca, o vice-presidente conhecerá a base militar americana na ilha. A delegação inclui a esposa dele, Usha Vance, o conselheiro de Segurança Nacional, Mike Waltz, e o secretário de Energia, Chris Wright.

Os governos da Dinamarca e da Groenlândia criticaram a visita. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que os EUA estão exercendo uma “pressão inaceitável” sobre a ilha.

“Devo dizer que é inaceitável que a pressão seja colocada sobre a Groenlândia e a Dinamarca nessa situação. E é uma pressão à qual resistiremos”, disse.

Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, classificou a visita como “interferência estrangeira” e se recusou a se reunir com a delegação americana. “É necessário ressaltar que nossa integridade e nossa democracia devem ser respeitadas sem qualquer interferência estrangeira”, disse.

Groenlândia: interesses militares e terras raras

Em janeiro, ainda antes de tomar posse, Trump alegava “razões econômicas” para a anexar a imensa ilha do Ártico. Isso porque a região poderia conter até 25% de todos os recursos das chamadas “terras raras” já mapeados no planeta.

Além de aparentes altas concentrações de cobre, grafite, nióbio, titânio e ródio, estariam ali também grandes depósitos das chamadas terras raras, como o neodymium e o praseodymium, cujas características magnéticas peculiares os tornam fundamentais na fabricação de motores de veículos elétricos e de turbinas eólicas.

O Serviço Geológico dos EUA estima ainda que existam 31,4 bi de barris de petróleo não descobertos na Groenlândia.

Com a abertura de rotas no Mar do Norte, cresce o interesse das potências nas riquezas da região. Mas China e Rússia, no entanto, não verbalizam o desejo de controlar o território, como vem fazendo Trump. Ainda assim, o presidente norte-americano teme eventual futura concorrência.

A China tinha feito investimentos em infraestrutura na Groenlândia, incluindo a proposta de financiar aeroportos — o que alertou os EUA sobre uma possível influência crescente chinesa na região.

Militarmente, trata-se de uma localização crucial para os norte-americanos. Isso porque a Groenlândia fica entre a América do Norte e a Europa, em uma posição estratégica no Ártico. Os EUA já mantêm a Base Aérea de Thule no noroeste da ilha, usada para radar de alerta precoce de mísseis. Com o aumento das tensões com a China e a Rússia, a região do Ártico se tornou ainda mais importante para operações militares e de monitoramento.

Trump chegou a manifestar a ideia de “comprar a Groenlândia”, o que causou espanto internacional e foi rejeitado pelo governo dinamarquês (a Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca). Trump via isso como um “grande negócio imobiliário”.

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